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Cap. 34 - Najma

Tenho algumas lembranças de nossa viagem até a Alemanha. São como flashes , que vez ou outra me vêm à mente. Eu usava um vestidinho vermelho no dia em que saímos às pressas de Aleppo, carregada por meu pai. Às vezes tenho lembranças de algumas coisas da Síria. Esses dias, meu pai chegou em casa com uma porção de falafel. O cheiro estava ótimo. Enquanto eu apreciava aqueles deliciosos bolinhos de grã-de-bico, lembrei de estar sentada com outras crianças, num divertido pique-nique. Comíamos falafel. Minha memória síria também é ativada quando entro num mercado árabe. É como se já tivesse visto aquelas comidas, as estampas dos tapetes, as cortinas. E penso, como é possível lembrar dessas coisas, vinte anos depois! Gosto muito de passear pelos mercados da cidade, mas não somente. Sinto-me em paz quando ando pela cidade, seja ela qual for, em qual lugar do mundo. A cidade é minha casa. Caminho. Caminho. Caminho. Desfruto da brisa em meu rosto, do balanço das árvores, do céu, do pôr do s...

Cap. 35 - Yusef

É claro que não tenho lembranças de nossa saída da Síria e toda viagem até a Alemanha. Talvez por isso, sempre senti como se fosse natural de Frankfurt. Minhas memórias de infância são daqui. Aprecio cada canto dessa cidade... não sei se tem algum onde nunca tenha pisado. Sei que tenho uma vida toda pela frente, como dizem os mais velhos. Terminar a faculdade, talvez fazer outra. Fazer escolhas com toda a liberdade e ir avançando rumo ao futuro. Cresci fazendo parte de uma história de refugiados. Felizmente, nosso deslocamento acabou quando chegamos aqui. Nunca me senti impróprio para esse lugar. Pelo contrário, acho que sou o sírio mais alemão que essa cidade já conheceu. O interessante é que tenho amigos em toda parte do mundo. Fruto do trabalho humanitário que meus pais acabaram desenvolvendo. Por isso, posso ver que há algumas coisas que são comuns entre os jovens. Por exemplo, muitos estão deslocados. E não é uma questão de ser refugiado, geograficamente falando. Muitos são nat...